Não. São três grandezas físicas diferentes, com fontes diferentes e valores guia diferentes. As duas primeiras são de baixa frequência e nascem da rede elétrica da casa. A terceira é de alta frequência e nasce das transmissões sem fio.
Em nove anos entrando em casas, eu nunca atendi alguém que estivesse preocupado com exposição eletromagnética. As pessoas me procuram por outra coisa. Por não dormir direito, por acordar cansada, por um quarto onde o corpo não desliga.
Aí eu explico que existem fatores ambientais diferentes acontecendo naquele quarto. Que eles nem vêm do mesmo lugar e que um pode estar alto enquanto os outros estão baixos. Isso costuma ser novidade inteira.
Se você chegou aqui sem nunca ter ouvido falar de nada disso, é exatamente onde todo mundo começa.

O campo que continua ali com tudo apagado
Esse é o que mais surpreende quem me ouve pela primeira vez.
O campo elétrico de baixa frequência existe em volta de qualquer fio energizado, mesmo com o aparelho desligado. Basta o fio ter tensão. O abajur apagado no botão, a extensão atrás da cômoda e a fiação dentro da parede da cabeceira continuam produzindo campo enquanto o disjuntor daquele circuito estiver ligado.
Já vi quarto em que a pessoa tinha tirado todos os aparelhos de perto da cama e a medição continuou alta. O que estava atuando ali era a fiação dentro da parede da cabeceira, que ninguém tira do lugar.
A característica que o distingue dos outros dois é que ele pode ser escoado, e isso só funciona quando existe uma superfície condutora bem aterrada.
O campo que só aparece quando algo está funcionando
Aqui a lógica se inverte.
O campo magnético de baixa frequência aparece quando a corrente circula de fato, ou seja, quando algum aparelho está puxando energia. O aparelho desligado não produz. O transformador da rua, a subestação e o quadro de distribuição produzem sem parar, porque neles a corrente nunca para.
Sobre o corpo, ele gera campos e correntes elétricas dentro do organismo, que interagem com os do próprio corpo. É medido em nanotesla.
A que viaja pelo espaço
A partir de certa frequência a onda se desprende do condutor e passa a viajar. A partir daí o elétrico e o magnético andam sempre juntos, e por isso se medem como uma coisa só. Já é uma diferença grande em relação aos dois primeiros.
As fontes de casa são o roteador, o modem, o celular, o tablet, os aparelhos com bluetooth e a casa conectada. As de fora são as torres de celular e os transmissores de rádio. A rede sem fio doméstica opera tipicamente em 2,4 GHz e em 5 GHz.
O efeito em primeiro plano na literatura é o térmico. Efeitos não térmicos também aparecem, e sobre esses a literatura fala em possibilidade, nunca em certeza. Estudos mostram que as ondas de alta frequência poderiam afetar a barreira hematoencefálica, outros sugerem efeito sobre certos tipos de célula. Nenhum desses pontos está fechado.
A característica que a distingue é que ela é refletida, e não escoada.

Por que confundir as três custa caro
Porque cada uma responde a um tipo de medida diferente, e a medida escolhida por engano não entrega nada.
O campo elétrico se escoa. A onda de alta frequência é refletida. O campo magnético não faz nem uma coisa nem outra. São três comportamentos físicos distintos, e nenhuma medida isolada alcança os três de uma vez.
Qual das três está alta na sua casa, e em que ponto do cômodo, é uma pergunta com resposta. Só não é uma resposta que se dá de olho.
O que se sabe sobre efeito no corpo
Campos de baixa frequência influenciam a produção de melatonina. Exposição de alta frequência antes de deitar produz alterações mensuráveis no EEG do sono, medidas repetidamente por Achermann e colegas. Qual é a influência exata disso sobre o sono, e se existe consequência clínica, ainda não foi respondido.
A discussão hoje é menos sobre a existência de efeito biológico e mais sobre quais intensidades, quais frequências e quais durações justificam preocupação.
Perguntas frequentes
Qual das três é a mais importante no quarto?
Depende do quarto, e essa é a resposta honesta. Um quarto com a cabeceira encostada na parede do quadro de distribuição tem um problema de baixa frequência. Um quarto com roteador do outro lado da parede tem um problema de alta frequência. Sem medir, é palpite.
Por que a mensuração separa as três em vez de dar um número só?
Porque cada uma tem unidade própria e valor guia próprio. Um número único, somando tudo, não diria qual delas está elevada, e é justamente isso que decide o que vem depois.
Uma casa pode ter uma das três alta e as outras duas baixas?
Pode, e é o caso mais comum que eu encontro. Elas têm fontes diferentes e não andam juntas. É por isso que a medição separa as três em vez de dar um número só.
Aparelho desligado no botão continua produzindo campo?
Continua produzindo campo elétrico, porque o fio segue energizado. Deixa de produzir campo magnético, porque a corrente parou de circular. É o exemplo mais simples de como as duas se comportam de maneira independente uma da outra.
Por que o padrão sueco aparece em textos sobre isso?
Porque o TCO 06 trata de posto de trabalho e de emissão do equipamento, que é uma pergunta diferente da exposição no lugar onde a pessoa dorme. Para a área de dormir, a referência é o padrão alemão detalhado em Por que a medição de geobiologia começa pelo quarto e não pela sala.
Para ir mais fundo
- O que é exposição eletromagnética dentro de casa e de onde ela vem
- Por que a medição de geobiologia começa pelo quarto e não pela sala
- Roteador, modem e celular no quarto atrapalham o sono?
- Geobiologia
Se você está prestes a comprar alguma coisa por causa disso, a consultoria residencial identifica antes qual das três está presente e em que ponto.
Fontes
- SBM 2015, Standard of Building Biology Testing Methods, do Institut für Baubiologie und Nachhaltigkeit (IBN), na Alemanha, em tradução oficial de Katharina Gustavs. É o padrão de medição usado em geobiologia. Oitava versão revisada, de maio de 2015. Define valores guia e classificação em quatro faixas para a área de dormir, tratando separadamente campos elétricos de baixa frequência, campos magnéticos de baixa frequência e ondas de alta frequência.
- TCO 06 Media Displays. Padrão sueco para posto de trabalho, com limite de 200 nT na banda I e 25 nT na banda II.
- Achermann, P. e colegas. Estudos de EEG do sono, que mediram repetidamente efeitos de exposição de alta frequência sobre o sono subsequente.
- BfS, Bundesamt für Strahlenschutz, órgão federal alemão de proteção radiológica.
Diana Guimarães
Consultora de Feng Shui com formação profissional completa (níveis 1 a 10), Radiestesista e Geobióloga pelo Selo Casa Saudável (Healthy Building Certificate), com base acadêmica pela USP e FGV. Atende há mais de 9 anos, no Brasil e no exterior.
Atualizado em julho de 2026.
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