Porque o padrão que a geobiologia usa para medir define os valores guia dele para a área de dormir, e não para a casa inteira. Ele é alemão, chama-se SBM, está na oitava versão revisada e tem mais de trinta anos. Parte de dois fatos. As pessoas passam cerca de 90 por cento da vida em ambiente interno, e é durante o sono que o corpo se regenera.
Quando eu chego para avaliar um imóvel, existe um momento que se repete. A pessoa começa a me levar pela sala, que é o cômodo maior, o que ela arrumou, o que recebe visita. Eu pergunto onde ela dorme.
Às vezes ela acha estranho. O quarto é pequeno, está desarrumado, tem roupa na cadeira. É justamente ali que a conta acontece.

Por que a cama decide mais que a sala
A variável que mais muda essa conta é a duração.
O efeito de um campo sobre uma pessoa depende de várias coisas. A intensidade, a frequência, a distância até a fonte, a orientação do corpo e a duração. Todos os outros mudam o tempo inteiro, conforme a pessoa anda pela casa. A duração é o único que se acumula sempre no mesmo ponto, com o corpo parado, na mesma posição, todas as noites, por anos.
A justificativa está escrita no próprio padrão. No sono o corpo se regenera, o que torna o entorno da cama especialmente importante. Some a isso os 90 por cento da vida em ambiente interno, e o quarto vira o lugar de maior exposição acumulada da vida de alguém.
Quarto de criança entra pelo mesmo motivo, e com mais razão, porque criança dorme mais horas.
Durante o dia a exposição também pode afetar alguém, só que é bem mais raro. Acordada, a pessoa está com as defesas naturais do corpo em modo de vigilância. Dormindo, não está. É por isso que o mesmo ambiente tem peso diferente às três da tarde e às três da manhã.
Que padrão é esse
Ele é publicado pelo IBN, na Alemanha, e conhecido pela sigla SBM. A primeira versão saiu em 1992.
Ele cobre campos elétricos e magnéticos de baixa frequência, ondas de alta frequência, campos contínuos, radioatividade, influências cosmotelúricas, ondas sonoras e luz. Duas coisas dessa lista chamam atenção. Ele trata separadamente as grandezas que o senso comum junta numa palavra só. E inclui ruído, luz e influências cosmotelúricas na mesma avaliação, que é bem parecido com a forma como a geobiologia olha um ambiente.
O que significam as quatro faixas
O padrão classifica cada medição em quatro faixas, e a definição de cada uma está escrita nele.
- Sem anomalia. O grau mais alto de precaução. É a condição natural, sem exposição, ou o nível de fundo que existe em quase toda casa moderna e é quase inevitável.
- Anomalia fraca. Por precaução, e especialmente para pessoas sensíveis, a correção deve ser feita sempre que possível.
- Anomalia forte. Valores nessa faixa não são aceitáveis do ponto de vista do padrão e pedem ação em prazo curto.
- Anomalia extrema. Pedem ação imediata. É a faixa em que os limites internacionais de exposição podem ser alcançados ou ultrapassados.
Essa graduação deixa decidir por partes, e um limite legal não deixaria. Um limite separa o mundo em dois, permitido e proibido. A classificação em faixas descreve o quanto a situação se afasta do desejável.
O próprio padrão registra que ausência total de anomalia é hoje praticamente inatingível, e adota como princípio que qualquer redução da carga existente já vale a pena.
Por que existe um padrão privado para isso
Porque para ambiente privado não existe limite legal de exposição eletromagnética. O ponto de partida declarado do padrão é exatamente esse vazio.
As referências internacionais foram construídas para evitar aquecimento de tecido em exposição de curta duração. Os valores do padrão foram construídos como precaução para o lugar onde alguém passa oito horas por noite, todas as noites, durante anos.
Existe ainda uma limitação que o lado oficial reconhece. O BfS, órgão federal alemão de proteção radiológica, registrou por escrito uma limitação da norma de medição EN IEC 62764-1. Ela não captura eventos com duração inferior a 200 milissegundos e por isso não serve para avaliação abrangente de segurança.

O que isso muda para quem dorme mal
Muda o lugar por onde começar.
Se o sono está ruim e a rotina já foi ajustada, o metro quadrado em volta da cama diz mais que a casa inteira. O que passa a noite ligado a poucos centímetros da sua cabeça entrega mais que o aparelho potente da cozinha. O que está do outro lado da parede da cabeceira também conta.
Campos de baixa frequência influenciam a produção de melatonina. E exposição a ondas eletromagnéticas de alta frequência antes de deitar produz alterações mensuráveis no EEG do sono, medidas repetidamente por Achermann e colegas. Qual é a influência exata disso sobre o sono, e se existe consequência clínica, ainda não foi respondido. O padrão foi construído dentro dessa incerteza, e é por isso que ele trabalha com precaução graduada em vez de afirmar dano.
Perguntas frequentes
Se o meu quarto estiver na faixa mais alta, isso quer dizer que estou doente?
Não. O padrão classifica o ambiente, não a pessoa. Ele diz o quanto aquele ponto se afasta do desejável, e não afirma nada sobre o corpo de quem dorme ali. A relação entre exposição e sintoma continua em aberto na pesquisa, e é justamente por isso que o padrão trabalha com precaução graduada em vez de afirmar dano.
Por que o padrão olha o sono e não o dia inteiro?
Porque é dormindo que o corpo se regenera, e porque acordada a pessoa está com as defesas naturais em modo de vigilância, o que dormindo não acontece. Durante o dia a exposição também pode afetar alguém, só que é bem mais raro.
Ele cobre só exposição eletromagnética?
Não. A primeira parte cobre campos e ondas, e inclui também radioatividade, influências cosmotelúricas, ruído e luz. As outras duas partes tratam de poluentes e clima interno, e de fungos, bactérias e alérgenos.
Se ausência total de anomalia é inatingível, por que medir?
Porque a decisão que interessa acontece entre a situação de hoje e uma situação melhor, e não entre zero e algo. Sem medir não há como saber qual mudança vale a pena nem se ela funcionou.
E no quarto de bebê ou de criança, muda alguma coisa?
Muda no sentido de contar mais, não de mudar o critério. O padrão trata quarto de criança com o mesmo rigor da área de dormir dos adultos, e criança dorme mais horas por dia que adulto. Além disso, criança e bebê ainda não aprenderam a ignorar o que o corpo sente, e por isso costumam reagir antes e de forma mais visível.
Para ir mais fundo
- Campo elétrico, campo magnético e ondas de alta frequência são a mesma coisa?
- O que é exposição eletromagnética dentro de casa e de onde ela vem
- Roteador, modem e celular no quarto atrapalham o sono?
- Insônia e cansaço constantes, como o ambiente pode estar afetando seu sono
- Geobiologia
Se o seu sono não repõe e você não sabe por quê, a análise do ambiente mede a área onde você dorme.
Fontes
- SBM 2015, Standard of Building Biology Testing Methods, do Institut für Baubiologie und Nachhaltigkeit (IBN), na Alemanha, em tradução oficial de Katharina Gustavs. É o padrão de medição usado em geobiologia. Oitava versão revisada, de maio de 2015. Define valores guia e classificação em quatro faixas para a área de dormir. As faixas reproduzidas neste post vêm dessa edição.
- BfS, Bundesamt für Strahlenschutz, órgão federal alemão de proteção radiológica, incluindo o registro de que a norma EN IEC 62764-1 não captura eventos com duração inferior a 200 milissegundos.
- Achermann, P. e colegas. Estudos de EEG do sono, que mediram repetidamente efeitos de exposição de alta frequência sobre o sono subsequente.
Diana Guimarães
Consultora de Feng Shui com formação profissional completa (níveis 1 a 10), Radiestesista e Geobióloga pelo Selo Casa Saudável (Healthy Building Certificate), com base acadêmica pela USP e FGV. Atende há mais de 9 anos, no Brasil e no exterior.
Atualizado em julho de 2026.
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